
CARTA ABERTA ÀS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DAS FRONTEIRAS, TURISMO E INFRAESTRUTURAS NACIONAIS
CARTA ABERTA ÀS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DAS FRONTEIRAS, TURISMO E INFRAESTRUTURAS NACIONAIS

A Associação Avenida vem manifestar publicamente a sua profunda preocupação relativamente às crescentes dificuldades verificadas no acesso aéreo a Portugal, em particular no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
Enquanto entidade que representa mais de 150 associados dos setores do comércio, hotelaria, restauração, cultura e serviços da Avenida da Liberdade — principal eixo premium e internacional de Lisboa e uma das mais relevantes montras económicas do país — acompanhamos diariamente o impacto desta realidade na experiência de quem visita Portugal.
Com frequência crescente, recebemos relatos de turistas, investidores e visitantes internacionais confrontados com longos tempos de espera nos controlos de fronteira, dificuldades operacionais e uma experiência de chegada desorganizada, que contrasta com a imagem de excelência que o país promove além-fronteiras.
Portugal conquistou, ao longo da última década, um posicionamento internacional de grande relevância enquanto destino turístico, cultural, gastronómico e de investimento. Lisboa, e em particular a Avenida da Liberdade, assumiram um papel central nesta afirmação, acolhendo marcas globais, hotelaria de excelência, restauração reconhecida internacionalmente e eventos de elevada projeção.
Iniciativas como a Avenida Open Week, Tasting in Avenida e Jazz in Avenida, bem como novos eventos de dimensão internacional como o Commedia à la Carte Festival e o Tribeca Festival, têm contribuído de forma consistente para reforçar a atratividade de Lisboa enquanto destino cosmopolita, sofisticado e culturalmente dinâmico.
Contudo, este esforço de promoção internacional é fragilizado quando a experiência de entrada no país não acompanha esse posicionamento.
A primeira impressão conta — e, em demasiadas situações, Portugal está a falhar precisamente no momento da chegada.
Esta realidade tem impactos que vão muito além da operação aeroportuária, afetando diretamente:
- a reputação internacional do país;
- a competitividade turística de Lisboa;
- a experiência e satisfação dos visitantes;
- a atratividade do investimento estrangeiro;
- o desempenho do comércio, da hotelaria, da restauração e dos serviços.
Torna-se, assim, difícil conciliar o investimento contínuo na promoção externa de Portugal com uma experiência de entrada que, de forma recorrente, não corresponde aos padrões de qualidade e eficiência esperados de um destino internacional de referência.
Importa igualmente reconhecer que o crescimento do turismo e da mobilidade internacional exige respostas estruturais proporcionais à procura atual. A pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias, aliada aos desafios operacionais dos sistemas de controlo de fronteiras, requer coordenação eficaz, capacidade de execução e visão estratégica.
Neste contexto, a Associação Avenida apela às entidades competentes para que sejam consideradas, com carácter prioritário, medidas concretas como:
- reforço imediato dos recursos humanos nos controlos fronteiriços;
- aceleração da modernização tecnológica e da automatização de processos;
- melhoria da coordenação operacional nos aeroportos;
- planeamento estrutural ajustado à procura atual e futura;
- criação de condições de acolhimento compatíveis com um destino internacional de excelência.
Mais do que uma questão operacional, trata-se de proteger a credibilidade internacional de Portugal e a confiança de quem escolhe o nosso país para visitar, investir e regressar.
A Associação Avenida mantém uma forte convicção no potencial de Lisboa e de Portugal enquanto destinos de excelência, reconhecidos pela sua hospitalidade, cultura e sofisticação.
Proteger esse posicionamento exige ação, coordenação e compromisso.
Lisboa, 19 de maio de 2026
A Direção da Associação Avenida





