Avenida da Liberdade e o Turismo de Compras

 Avenida da Liberdade e o Turismo de Compras

Portugal vive hoje um momento particularmente relevante na forma como é percebido enquanto destino internacional. A qualidade da hotelaria, a diversidade cultural e a segurança do país tornaram‑se argumentos sólidos para atrair viajantes do segmento premium. Mas há uma dimensão que cresce silenciosamente e que pode transformar o posicionamento de Portugal nos próximos anos: o turismo de compras, sobretudo no segmento do luxo.

Os sinais quantitativos confirmam esta mudança. Nos últimos cinco anos, o mercado Tax Free de luxo em Portugal cresceu 12%, superando a média global. Nesse mesmo período, o gasto médio por comprador internacional aumentou de 1.600€ para 2.320€ e o número de compradores passou de 49 mil para 64 mil — uma evolução que traduz a capacidade do país para atrair um visitante mais exigente e habituado às grandes capitais europeias.

Em nenhum outro local esta transformação é tão evidente como na Avenida da Liberdade. O eixo concentra a maior densidade de marcas internacionais do país e reúne os públicos que hoje mais pesam no luxo em viagem: EUA e Brasil, que representam juntos cerca de 50% das vendas de luxo Tax Free em Portugal. Este perfil é decisivo porque combina poder de compra, recorrência e uma expectativa de serviço à escala internacional.

A avenida tornou‑se um palco estratégico: acolhe o consumidor americano que explora a Europa, o brasileiro que regressa regularmente e um conjunto crescente de viajantes de mercados emergentes que valorizam serviço atento, curadoria rigorosa e processos Tax Free sem fricção. É este encaixe — experiência qualificada num corredor comercial reconhecível — que converte visitas em compras e fidelidade.

Ao mesmo tempo, a Geração Z assume um papel crescente: +17% em número de clientes e +18% em gasto, impulsionando a necessidade de personalização, comunidades de marca e presença Omnicanal. É uma geração menos fiel, mas altamente influente, o que exige propostas consistentes, experiências memoráveis e um serviço que una digital e loja de forma fluida.

No topo da pirâmide, os (U)HNWI sustentam o ciclo com compras repetidas e maior lealdade à marca, sendo o segmento com gasto médio por cliente mais elevado e contribuição desproporcionada para a receita — uma realidade particularmente visível em Portugal, onde uma minoria estatística responde por uma parcela significativa das vendas.

A oportunidade é clara: integrar o turismo de compras na estratégia externa de promoção de Portugal e, em particular, da avenida, articulando o retalho, serviços, hotelaria e cultura em roteiros de alto valor como a Associação Avenida da Liberdade o tem vindo a fazer tão bem juntamente com o contributo dos seus associados.

Fonte dos dados: Global Insights on Luxury Market 2025 – Global Blue