Tecidos com História, Moda com Propósito

Tecidos com História, Moda com Propósito

POR ROSELYN SILVA

Para mim, a escolha dos tecidos é onde tudo começa. Não é só estética, é história, cultura, emoção e símbolo. Os tecidos africanos, em particular, carregam mensagens. Os padrões contam histórias. Escolho têxteis que me inspirem, que me transportem ou me façam sentir algo específico, porque quero que cada peça conte uma história e transmita uma sensação.

Trazer esses padrões para a moda contemporânea é celebrar a diversidade e questionar os padrões de beleza tradicionais. É mostrar que a beleza é plural. Existem muitas formas de ser belo, e a cultura africana tem muito a oferecer. É valorizar as nossas raízes e trazê-las para o presente de forma moderna e relevante.

Quando trabalho com estes têxteis, sinto que celebro uma beleza autêntica, uma beleza que vem de dentro e é reforçada pela cultura e pela história. É uma forma de empoderar quem veste as minhas peças, de fazer as pessoas sentirem-se ligadas a algo maior. Ligadas a um movimento. Quero que se sintam confiantes, bonitas, e que se reconheçam nas histórias que os tecidos contam.

O meu trabalho desafia narrativas dominantes ao colocar no centro referências e estéticas muitas vezes marginalizadas ou ignoradas. Ao celebrar a cultura africana de forma contemporânea, afirmo que a elegância e a sofisticação não pertencem a uma só estética ou cultura. A beleza é diversa. Existem muitas formas de ser elegante e sofisticado.

O equilíbrio está em respeitar a essência do tecido e da cultura de onde vem, mas permitir-me reinterpretá-lo de forma autêntica e pessoal. Como mulher africana, sei que tenho essa autoridade. Não quero copiar ou reproduzir. Quero criar algo novo e relevante, que faça sentido hoje, mas que honre a tradição e a história.

A moda tem um poder incrível de influenciar e moldar perceções. Como designer, sinto a responsabilidade de usar esse poder para promover a diversidade, a inclusão e a consciência. Quero contribuir para um mundo onde a beleza seja mais acessível, mais diversa e mais inclusiva, onde as pessoas se sintam representadas e valorizadas. Esse papel motiva-me a continuar a criar. E tenho plena consciência de que o meu trabalho trouxe mudanças muito positivas à indústria da moda em Portugal.

Créditos fotógrafo: João Paulo